Ambientalistas acusam a Vale de contaminar a água de Itabira; mineradora se posiciona e emite nota

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A qualidade da água em Itabira foi tema de audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta segunda-feira (6/5). Um relatório do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) atestou níveis elevados de coliformes fecais e de metais nocivos à saúde nos seis pontos de monitoramento no município.

O documento traz um recorte do período de 2014 a 2023. De acordo com o diretor-geral do Igam, Marcelo Fonseca, foram identificados teores acima do padrão de manganês em todas as amostras, de ferro dissolvido em 66% delas, de alumínio dissolvido em 25% e de sulfetos em 45%.

A presença desses metais está associada às características da própria região, chamada de quadrilátero ferrífero, onde estão as maiores jazidas de minério de ferro do Estado. Outros dois elementos presentes na água, a bactéria E. Coli, em 97% das amostras, e o fósforo total, em 100% delas, estão associados à falta de saneamento básico, explicou o gestor.

Respondendo a questionamento da deputada Bella Gonçalves (Psol), que solicitou a audiência, Marcelo Fonseca não cravou, contudo, a responsabilidade da atividade minerária pela contaminação da água, uma vez que esses materiais já estão presentes no solo.

No entanto, para os parlamentares e ambientalistas presentes, não há dúvida da contribuição da mineradora Vale. “Essa situação não pode ser minimizada nem naturalizada”, afirmou Bella Gonçalves.

Presidente da comissão, o deputado Tito Torres (PSD) também responsabilizou a mineradora. Ao comentar a repercussão para o sistema de saúde público das doenças causadas pela má qualidade da água, ele sugeriu uma mobilização de todos os entes envolvidos em busca de uma solução.

Rosilene Félix e Sidney Guimarães, vereadores de Itabira, salientaram sua preocupação não apenas com a água bruta captada, mas também com a água tratada que sai das torneiras nas residências.

Em novembro do ano passado, lembrou Rosilene, moradores de diversos bairros receberam uma água escura e com mau cheiro, devido à contaminação com 400 litros de óleo no sistema de abastecimento. O vereador Sidney comentou a falta de água nos bairros mais altos da cidade, que chega a durar até 15 dias.

Vale se posiciona e emite nota

O Notícias Uai entrou em contato com a mineradora, que disse que “todas as suas operações são pautadas nas legislações vigentes”. Leia a nota na íntegra:

“A Vale esclarece que todas as suas operações são pautadas nas legislações vigentes e tem investido em processos ainda mais seguros e sustentáveis. A companhia vem aprimorando, nos últimos anos, sua contribuição ao sistema de fornecimento de água de Itabira, em virtude ao termo de compromisso firmado com o objetivo de apoiar os demais órgãos púbicos responsáveis pelo abastecimento de água do município. Por fim, a empresa reforça o seu compromisso com o meio ambiente e a segurança das pessoas das comunidades onde mantém suas operações.”

 

*Com informações: Acom / ALMG | Foto (capa): Guilherme Bergamini / ALMG

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