Homem de 28 anos confirmou que era olheiro do tráfico, mas negou a acusação de que vendia drogas no bairro Serra, em BH; caso similar terminou com condenado sendo absolvido pelo STJ
A Justiça de Minas Gerais expediu um mandado de prisão contra um homem de 28 anos que foi condenado por tráfico de drogas após ser flagrado gritando ‘Galo Doido no Pocinho’ para alertar traficantes sobre a presença da Polícia Militar no bairro Serra, em uma região conhecida pela venda de entorpecentes. O mandado foi expedido na última sexta-feira (21).
Conforme , ocorrência foi registrada no fim da tarde de 26 de abril de 2023. De acordo com a denúncia do Ministério Público (MPMG), policiais militares faziam o patrulhamento no bairro Serra quando, ao chegarem na rua Passagem, viram um homem com um radiocomunicador no pescoço e uma sacola branca em uma das mãos.
Ao ver os militares, o suspeito fugiu correndo pelos becos da comunidade, sendo perseguido pelos militares. Antes de ser alcançado pelos agentes, o homem conseguiu pegar o rádio comunicador e gritar ‘Galo Doido no Pocinho’. Com ele, os militares encontraram 100 pinos de cocaína, 27 buchas de maconha (mais uma porção da maconha separada) e 15 pedras de crack, além do rádio comunicador.
Segundo os militares que participaram da ocorrência, o ponto de venda de drogas é conhecido como ‘Boca do Pocinho’ e pertenceria à Organização Criminosa do Arara.
Julgamento
O caso foi a julgamento mais de um ano depois do crime. Durante depoimento, o acusado confirmou que trabalhava como olheiro do tráfico, mas negou estar com a droga no momento da prisão, alegando que a sacola foi entregue por um dos policiais. Ele ainda acusou ou militares de o agredirem com um soco na barriga para que ele entregasse o nome de outros traficantes. A defesa chegou a exibir um vídeo para comprovar essa tese, que não foi aceito pela Justiça.
Por fim, o juiz Ronaldo Vasques fixou a pena em 5 anos e 10 meses de reclusão em regime fechado. Porém, o acusado pode recorrer em liberdade. O recurso da defesa foi negado em dezembro de 2024 e, neste mês de março, transitou em julgado.
O mandado de prisão assinado pelo mesmo juiz da condenação foi expedido na sexta-feira (21). Em nota enviada à Itatiaia, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que o condenado ainda não deu entrada no sistema prisional.
Os policiais alegaram durante depoimento que o grito foi usado de forma descontextualizada para alertar os traficantes. Porém, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) optou pela absolvição do acusado. A ministra Daniela Teixeira concordou com a defesa ao argumentar que, para caracterizar o crime, é necessário demonstrar colaboração efetiva com um grupo criminoso, o que não foi comprovado.