Por Noticiasuai/ @portalnoticiasuai — Rio de Janeiro, Brasil

Após mais de 25 anos de pesquisa, a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora doutora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Tatiana Coelho de Sampaio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lidera uma das descobertas científicas mais promissoras do país no tratamento de lesões medulares.
O resultado dessa longa trajetória de trabalho é a polilaminina — uma molécula derivada da proteína laminina, originalmente extraída da placenta humana e transformada em medicamento experimental que estimula a regeneração do tecido nervoso danificado na medula espinhal.
Da ciência fundamental ao tratamento inovador
A pesquisa teve início no final dos anos 1990, quando Tatiana e sua equipe identificaram que a laminina, uma proteína presente naturalmente no organismo, tinha potencial para orientar a regeneração neural. Após décadas de experimentos em laboratórios e em modelos animais, esse trabalho culminou na síntese da polilaminina, um polímero capaz de “mapear” a direção para que neurônios lesionados restabeleçam conexões e voltem a transmitir sinais.
O composto é administrado diretamente na coluna vertebral e, em testes preliminares em humanos e animais, mostrou resultados estimulantes: pacientes com lesões completas ou parciais apresentaram recuperação de movimentos — parcial ou, em alguns casos, quase total.
Resultados que reacendem esperanças
Relatórios das fases iniciais do estudo indicam que, dos voluntários acompanhados, vários apresentaram melhorias significativas em suas habilidades motoras após a aplicação da polilaminina. Em alguns casos, indivíduos que caminhavam com dificuldade conseguiram recuperar autonomia funcional que havia sido perdida após acidentes traumáticos.
Pesquisas em animais também apontaram para resultados expressivos: cães que perderam a capacidade de andar devido a lesões medulares começaram a restabelecer a mobilidade após o tratamento experimental, reforçando a capacidade da substância de estimular regeneração neural efetiva.
Embora os dados sejam promissores, especialistas alertam para a necessidade de cautela: ainda é essencial a realização de testes clínicos mais amplos e regulamentados para confirmar eficácia e segurança antes que a polilaminina possa ser adotada na prática clínica.
Caminho para aprovação e próximos passos
Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da primeira fase de testes clínicos regulatórios com humanos, um passo crucial para avaliar o potencial terapêutico do composto em um número maior de pacientes.
O avanço também tem mobilizado a comunidade científica e autoridades públicas: o Ministério da Saúde anunciou prioridade na liberação dos estudos da polilaminina, sinalizando o reconhecimento da relevância da pesquisa para a saúde pública brasileira.
Um marco da ciência nacional
Especialistas afirmam que a descoberta representa um possível ponto de inflexão na medicina regenerativa. Até o momento, não existia um tratamento medicamentoso eficaz para promover regeneração de lesão medular, condição que pode levar à paraplegia e tetraplegia permanentes.
Para Tatiana Sampaio e sua equipe, o trabalho é fruto de décadas de persistência e dedicação. A expectativa, agora, é que a polilaminina avance nas fases de estudo de forma rigorosa e ética, abrindo portas para um novo capítulo no tratamento de lesões que hoje alteram dramaticamente a vida de milhares de pessoas no Brasil e no mundo.
A polilaminina (ou polilamina) é uma promissora terapia brasileira desenvolvida pela UFRJ e laboratório Cristália, baseada em uma versão sintética da laminina para regenerar lesões medulares. Agindo como um andaime para reconexão neural, a substância mostrou resultados preliminares positivos na recuperação de movimentos, especialmente se aplicada precocemente.







