Cristiano Jahel Leal foi condenado a 36 anos e dois meses de prisão pelo assassinato da namorada, Brena Moreira Franca, de 23 anos, cujo corpo foi abandonado às margens da BR-040. O crime ocorreu em dezembro de 2024, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (5), no 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. O réu recebeu condenação pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e condução de veículo sob efeito de álcool.
Relacionamento conturbado
Durante o julgamento, sete testemunhas prestaram depoimento e descreveram a relação do casal como turbulenta, marcada por episódios de violência física, verbal e psicológica.
Segundo os relatos apresentados no tribunal, Brena sofria agressões frequentes por parte do acusado, que também quebrava seus celulares, tomava seu dinheiro e a submetia a humilhações. As testemunhas afirmaram ainda que o réu fazia uso de drogas, circunstância que teria levado a vítima a consumir álcool e entorpecentes ao longo do relacionamento.
No júri, foram mencionados episódios de coronhadas, mordidas, socos, tapas e abusos sexuais. Os depoimentos também indicaram que a jovem mantinha forte dependência emocional em relação ao acusado.
Na defesa, Cristiano Jahel negou ter efetuado o disparo que matou Brena. Ele alegou que a vítima teria sido atingida por uma bala perdida durante uma troca de tiros no Aglomerado da Ventosa, na Região Oeste de Belo Horizonte, enquanto ambos estariam no local para comprar drogas.
O réu afirmou que colocou a companheira no carro com a intenção de levá-la a um hospital, mas percebeu que ela já estava morta. Segundo sua versão, por medo de represálias de familiares, decidiu abandonar o corpo na BR-040, em Esmeraldas, na Grande BH. Ele também negou ter agredido a namorada anteriormente ou ter destruído seus celulares.
Relembre o caso
Conforme a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, Brena estava na casa da irmã, em Santa Luzia, quando fez uma chamada de vídeo para Cristiano. Em seguida, solicitou um carro por aplicativo para ir até a residência dele, no bairro Santa Maria, em Belo Horizonte. O crime ocorreu dois dias depois, na manhã de 27 de dezembro de 2024.
Após o feminicídio, o homem colocou o corpo da vítima dentro do carro e seguiu até o km 501 da BR-040, onde deixou o cadáver no acostamento da rodovia e fugiu.
A denúncia aponta ainda que, depois disso, ele foi até a casa do irmão, também no bairro Santa Maria, trocou de veículo para evitar ser identificado e deixou o local. O carro utilizado na fuga foi encontrado por policiais militares em Governador Valadares.
No momento da abordagem, os militares constataram sinais de embriaguez no suspeito, como andar cambaleante e odor de álcool no hálito.







