
Uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo revelou um esquema criminoso milionário que funcionava dentro da mineradora Vale, envolvendo funcionários e trabalhadores terceirizados acusados de furtar materiais de alto valor da própria empresa. A operação resultou na prisão de sete pessoas e no indiciamento de 13 suspeitos por participação em duas associações criminosas que atuavam de forma paralela.
Segundo o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), o grupo desviava bobinas de cobre e baterias estacionárias, causando um prejuízo estimado em milhões de reais à mineradora.
Esquema sofisticado para furtar cobre da Vale
As investigações apontaram que um dos grupos era especializado no furto de bobinas de cobre, material altamente valorizado no mercado. De acordo com a Polícia Civil, o esquema contava com a participação de funcionários que separavam previamente o material dentro da empresa.
Com documentos falsificados, incluindo e-mails e notas fiscais adulteradas, um caminhão equipado com guindaste entrava regularmente nas dependências da Vale para retirar as bobinas sem levantar suspeitas. Na saída, a documentação fraudulenta era apresentada na portaria, permitindo que a carga deixasse a empresa aparentemente de forma legal.
A polícia identificou que o grupo atuava desde novembro de 2025. Em algumas operações, cada integrante chegava a lucrar cerca de R$ 20 mil por viagem.
Quatro suspeitos foram presos em flagrante ainda dentro da empresa no início de junho e confessaram participação no esquema. O prejuízo estimado apenas com o furto das bobinas ultrapassa R$ 1,5 milhão.
Baterias eram retiradas da empresa e revendidas em loja
Durante as apurações, os investigadores descobriram uma segunda organização criminosa dedicada ao furto de baterias estacionárias utilizadas em locomotivas e sistemas de combate a incêndio.
Segundo a polícia, um funcionário responsável pelo controle desses equipamentos selecionava as baterias em condições de uso e, com auxílio de terceirizados, retirava os itens da empresa alegando falsamente que seriam enviados para manutenção.
O material era entregue a um comerciante na cidade da Serra, onde as baterias eram revendidas sem autorização. Durante uma operação de busca e apreensão, os policiais localizaram 20 baterias no estabelecimento.
A investigação aponta que os furtos aconteciam desde 2022, indicando que o prejuízo pode ser muito superior ao já identificado.
Investigação continua
A Polícia Civil informou que os funcionários envolvidos tinham entre dois e cinco anos de atuação na mineradora. Até o momento, não foram encontradas evidências de participação dos proprietários das empresas terceirizadas.
Os investigados responderão por crimes como furto qualificado, associação criminosa e receptação qualificada. As investigações prosseguem para identificar os compradores das bobinas de cobre e apurar a extensão total dos prejuízos causados à Vale.








