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O depoimento da tia materna de Paola Stefany Neto Cirino, prestado à Polícia Civil e anexado ao processo, traz detalhes sobre a rotina da investigada antes de sua prisão e descreve mudanças de comportamento que, segundo a familiar, passaram a preocupar a família.
De acordo com a testemunha, Paola morava havia cerca de dois anos em sua residência, ao lado do filho , de seis anos. Ela afirmou que a sobrinha trabalhava como diarista, era dedicada aos cuidados da criança e contava com o apoio dos familiares quando precisava sair para trabalhar.
No entanto, a tia relatou que, nos últimos tempos, passou a perceber uma instabilidade emocional. Segundo seu depoimento, Paola alternava períodos de profunda tristeza com momentos de excessiva alegria e, nos dias que antecederam os fatos investigados, permaneceu mais isolada dentro do quarto.
Ainda conforme a testemunha, Paola fazia uso de clonazepam, já havia recebido atendimento psiquiátrico no Hospital André Luiz e chegou a iniciar acompanhamento em um CAPS de Ribeirão das Neves. Porém, segundo a familiar, o tratamento não teve continuidade.
A tia também declarou desconhecer que Paola tivesse feito uso recente de álcool ou drogas e afirmou que não tinha conhecimento de grandes dificuldades financeiras, embora soubesse que, no passado, ela havia contraído dívidas com um agiota, posteriormente quitadas com o próprio trabalho.
Sobre o dia dos fatos, a testemunha contou que Paola informou que realizaria um serviço indicado por um empregador chamado Vinícius. Quando voltou para casa, segundo ela, aparentava tranquilidade e não comentou nada sobre o trabalho realizado.
Outro trecho do depoimento menciona que o filho perguntou sobre uma mochila, ocasião em que Paola teria respondido que havia ganhado o objeto. A testemunha, entretanto, afirmou não ter certeza se presenciou diretamente essa conversa ou se tomou conhecimento posteriormente por meio da própria criança.
No dia seguinte, ainda conforme a familiar, Paola saiu de casa levando malas e o filho, dizendo que viajaria para o Espírito Santo porque a criança estava de atestado médico. A tia afirmou que não desconfiou de qualquer irregularidade naquele momento e só descobriu o paradeiro da sobrinha após ser procurada pela Polícia Civil.
Em outro ponto do depoimento, a testemunha declarou que familiares comentavam que Paola “estava estranha” e revelou que ela já havia manifestado intenção suicida, afirmando que “a cabeça dela não estava legal”. Apesar disso, ressaltou que nunca presenciou qualquer comportamento agressivo por parte da sobrinha.
Ao encerrar seu depoimento, a tia afirmou estar profundamente abalada com toda a situação e declarou que sempre conheceu Paola como uma pessoa trabalhadora, dedicada e muito carinhosa com o filho. As declarações integram o inquérito policial e deverão ser analisadas ao longo da investigação e do processo judicial, juntamente com as demais provas produzidas.








