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ITABIRA VIVE À SOMBRA DAS BARRAGENS: MEMÓRIA DE MARIANA E BRUMADINHO AINDA ASSOMBRA MORADORES

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Pyêdro/noticiasuai.com

Os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho deixaram um legado de dor, desconfiança e insegurança que ainda ecoa nas cidades mineradoras de Minas Gerais. Em Itabira, berço da mineração da Vale, moradores convivem diariamente com o temor de que uma nova tragédia possa ocorrer.

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Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da Barragem de Fundão, operada pela Samarco — controlada pela Vale e pela BHP — devastou comunidades inteiras em Mariana. O desastre deixou 19 mortos, destruiu os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo e contaminou a Bacia do Rio Doce até o Oceano Atlântico.Pouco mais de três anos depois, em 25 de janeiro de 2019, outra tragédia chocou o país. O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, matou 270 pessoas e provocou um dos maiores desastres humanitários da história do Brasil.Passados anos dos dois episódios, muitos familiares das vítimas ainda cobram justiça. Diversos ex-executivos, engenheiros e consultores foram investigados e denunciados, mas os processos seguem em tramitação judicial. Até hoje, nenhuma condenação definitiva relacionada às mortes foi concluída.

Medo faz parte da rotina em Itabira

Em Itabira, cidade historicamente dependente da mineração, a preocupação vai além da economia. Moradores que vivem próximos às barragens acompanham com atenção cada sirene, cada simulado e cada comunicado emitido pela Defesa Civil e pela mineradora.

A Barragem Itabiruçu, uma das maiores estruturas de contenção de rejeitos de Minas Gerais, frequentemente está no centro das discussões sobre segurança. Embora a Vale afirme que suas estruturas são monitoradas permanentemente e atendem aos critérios exigidos pelos órgãos fiscalizadores, o receio da população permanece.

A cada exercício de evacuação realizado pela Defesa Civil, a população recebe orientações sobre rotas de fuga e pontos de encontro. Para muitos moradores, os simulados acabam reforçando uma pergunta inquietante: para onde correr se o pior acontecer?

Incerteza sobre o futuro

Além da preocupação com a segurança, existe o medo do esgotamento mineral. Empresários, trabalhadores e moradores acompanham as discussões sobre o futuro econômico da cidade, que ainda depende fortemente da mineração.

A possibilidade de redução das atividades minerárias gera dúvidas sobre emprego, arrecadação e desenvolvimento. Enquanto isso, moradores que convivem com os impactos da atividade mineradora relatam dificuldades para obter respostas rápidas em processos judiciais relacionados a danos ambientais, desapropriações e outras demandas.

O alerta permanece

As tragédias de Mariana e Brumadinho deixaram um recado que continua vivo na memória dos mineiros: quando uma barragem se rompe, as consequências ultrapassam números e estatísticas.

Foram 19 vidas perdidas em Mariana e 270 mortes em Brumadinho, além de impactos ambientais, sociais e econômicos que permanecem até hoje.Em Itabira, muitos moradores afirmam que não desejam reviver cenas semelhantes às que marcaram a história recente de Minas Gerais. Por isso, cobram fiscalização rigorosa, transparência e planejamento para que a cidade não fique conhecida apenas por sua riqueza mineral, mas também pela capacidade de proteger sua população e construir alternativas para o futuro.

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