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Mãe de jovem assassinado espera condenação de acusado por homicídio em Itabira

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O Tribunal do Júri julga nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, o homem acusado de assassinar Douglas Henrique Silva Ribeiro, de 21 anos, em Itabira. O rapaz foi morto na noite do dia 1º maio de 2024 na Rua Dom Mário Gurgel, no bairro Monsenhor José Lopes.

Conforme a denúncia, o réu e comparsas, incluindo um adolescente, monitararam a vítima e a surpreenderam em via pública. Douglas foi atingido por diversos disparos de arma de fogo. Segundo o Ministério Público, o homicídio estaria relacionado ao tráfico de drogas na região, tendo sido praticado por motivo torpe, com emprego de meio que resultou perigo comum e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, já que os disparos ocorreram em local aberto, expondo terceiros a risco.

O Notícias Uai entrevistou a mãe da vítima, que disse esperar Justiça: “Ele foi assassinado por cinco indivíduos. Chegando na minha casa, ele foi assassinado por cinco indivíduos. Aí já tem quatro presos e um foragido, que um era menor, hoje ele é maior. E um foi condenado, um foi absolvido, hoje eu tô no júri de outro, que eu tenho certeza e tenho fé em Deus, que ele vai ser condenado e tem o próximo, que eu não sei ainda a data do júri, mas espero a Justiça aí, né?”.

“Meu filho era trabalhador, meu filho trabalhava na prefeitura, meu filho trabalhou na área da Vale e era trabalhador e deixou um bebezinho de seis meses na época, hoje tá com dois aninhos. É porque ele sempre bateu de frente, que eles queriam dominar o tráfico. E meu filho sempre bateu de frente, nunca aceitou ser coagido por vagabundo, e por isso eles fizeram essa covardia com ele”, afirmou.

“Condenação nenhuma, vai trazer o meu filho de volta, né? Mas a sensação de justiça, sim. E é o que eu espero, né, da justiça, né? Que venha a ser, que venha a ser feito a justiça na vida do meu filho, né? Pelo que eles fizeram com ele, né? Porque é uma dor que eu carrego, meus filhos carregam, meu marido carrega e nada vai, vai apagar o que eles fizeram com ele”, concluiu.

O advogado João Paulo de Souza Júnior atua como assistente de acusação e também concedeu entrevista: “Eu achei importante demonstrar que os acusados são, de fato, os autores desse homicídio. Então nós temos o mandante, nós temos os executores, hoje tá julgando um dos executores, e a gente espera ter a condenação, né? Tanto pelo homicídio consumado, tanto pela qualificadora do motivo do perigo comum, que foram disparos em via pública, tanto pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, porque foi uma emboscada. É, houve esse mando do presídio a um dos irmãos, e daí em diante, esse irmão determinou que os executores, que um tá sendo julgado hoje, executassem o senhor Douglas”.

“O mandante foi condenado com duas das qualificadoras, só não pegou o perigo comum, tendo em vista que a própria lei, né, traz que o mandante não responde por disparos de arma de fogo em via pública, porque ele não sabe exatamente como que vai ser essa execução, entendido? No mais, ele pegou isso, pegou associação criminosa, pegou corrupção de menores, porque tem um menor também, que participou dos fatos. Um total de pena, se eu não me engano, foram dezoito anos. “, afirmou.

O advogado disse que a condenação é uma resposta para família: “É uma resposta que, que pra mãe, né, pros familiares do senhor Douglas, um trabalhador de área de vale, um cara que não tem passagens policiais, porque geralmente a gente vê mortes de facções, né? Reversa, ou seja, uma facção de um tráfico de um lado, matando outro faccionado do outro lado. Entretanto, nós temos uma vítima que não era envolvida no crime. Apesar da defesa tentar descredibilizar a fala da família, nós temos informações, temos vídeos, temos provas, que, de fato, eles são os executores do homicídio”.

“Os acusados, né, eles já possuem passagem entre eles mesmo, ou seja, o próprio que tá sendo julgado hoje, ele já tinha passagem com o próprio mandante, ou seja, que demonstra a ligação de ser faccionado, estar envolvido nesses homicídios. Além do próprio celular dele, né, que foi apreendido, que mostra a arma de fogo, que foram apreendidos, né, também, na, no próprio apartamento que eles invadiram, né? Porque isso é comum no Santa Marta, os próprios, os próprios envolvidos no tráfico de droga invadirem. Então eles tinham um apartamento e foram apreendidos vários pertences e pertrechos comumente, né, conhecidos como tráfico de drogas, tá?”, disse o advogado.

“A motivação é justamente essa, essa questão da invasão desses apartamentos. Como o Douglas tinha um apartamento de frente com o apartamento invadido e ele tinha uma recém-nascida, várias pessoas visitavam eles pra conhecer a menina. E isso, pra eles, atrapalhava o tráfico, porque isso acontecia, essas visitas aconteciam durante o período noturno, onde o tráfico funciona geralmente no período noturno. Entretanto, como o, a vítima trabalhava durante o dia, né, isso incomodava os traficantes. Foi avisado diversas vezes, tem ameaças anteriores, ameaças posteriores aos próprios familiares. Então, a motivação desse crime era justamente que o Douglas atrapalhava o tráfico, de certa forma, ao receber visitas num, num prédio, onde há comumente, é, invasores do tráfico, que expulsam as pessoas de bem daquele condomínio, pra poder traficar ali, por uma questão de proteção mesmo, e não ser encontrado pela polícia”, concluiu.

Além do homicídio qualificado, o acusado também foi denunciado pela prática dos crimes de corrupção de menores, associação para o tráfico de drogas e constrangimento ilegal, este último em razão de ameaças dirigidas à mãe da vítima dias após o crime. A apreciação das qualificadoras e das demais circunstâncias caberá ao Conselho de Sentença. O réu encontra-se preso preventivamente desde maio de 2024.

Para Jonas Monteiro, promotor de Justiça, a submissão do acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri representa o cumprimento do dever constitucional do Ministério Público de defender a vida, zelar pela ordem jurídica e garantir que crimes de extrema gravidade sejam apreciados pela sociedade por meio de seus representantes no Conselho de Sentença, reafirmando que a atuação estatal deve ser firme no enfrentamento da violência e da criminalidade organizada.

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