Reeleito ao cargo nas eleições municipais de 2024, ele ocupava o posto de chefe do Executivo desde 2022
O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, morreu nesta quarta-feira (26 de março), aos 77 anos. O mandatário da capital mineira estava internado no Hospital Mater Dei desde o dia 3 de janeiro.
Na manhã desta quarta-feira (26 de março), um boletim médico já havia sido divulgado em horário atípico e informou que Fuad sofreu uma parada cardiorrespiratória na noite dessa terça-feira (25 de março) e estava em estado ‘bastante grave’. O chefe do Executivo precisou ser reanimado, mas evoluiu com choque cardiogênico necessitando de doses elevadas de drogas vasoativas e inotrópicas.
Fuad deixa a esposa, Mônica Drummond; dois filhos, Paulo Henrique e Gustavo; três irmãos, Lenita, Hélio e Márcia; e quatro netos.
Militar, economista e escritor – ou “escrevedor”, como preferia ser chamado –, antes de ser político, Fuad serviu ao Exército brasileiro por 11 anos. Posteriormente, se formou e se especializou no ramo da economia, onde chegou a participar da formulação do Plano Real, na década de 1990. Publicou três livros: “O Amargo e o Doce”, de 2017; “Cobiça”, de 2020 – alvo de polêmica durante as eleições de 2024; e “Marcas do Passado”, de 2022.
A entrada na política ocorreu de forma tímida, com cargos nos bastidores no governo federal e no governo de Minas Gerais, sendo a maioria deles envolta no meio econômico. Assim, Fuad foi nomeado secretário municipal de Fazenda pelo então prefeito de BH, Alexandre Kalil, em 2017. Posteriormente, foi convidado a se candidatar como vice-prefeito na disputa pela reeleição – que foi conquistada.
Após a renúncia de Kalil, em 2022, Fuad assumiu a Prefeitura de Belo Horizonte por dois anos e nove meses. Buscando a manutenção do cargo, disputou as eleições municipais enquanto realizava o tratamento de um linfoma não-Hodgkin. A campanha foi a primeira liderada por ele para ocupar um cargo
político, enfrentando o desconhecimento como uma das maiores dificuldades, o que teria motivado a escolha do vice, o jornalista e ex-vereador Álvaro Damião (União Brasil).
Prefeito de Belo Horizonte por dois anos, Fuad comunicou em 4 de julho, à época da pré-campanha pela prefeitura, que havia sido diagnosticado com câncer e já tinha passado por cirurgia. Ao lado da esposa, também anunciou na ocasião que iniciaria tratamento com quimioterapia, mas continuaria à frente
da prefeitura e participaria da campanha durante o processo. Ele anunciou a remissão em outubro, quando informou que o tratamento já havia sido concluído.
Reeleito com 53,73% dos votos válidos, Fuad ocupou a cadeira do Executivo por três dias antes de se licenciar para cuidar da saúde, com o segundo diagnóstico de pneumonia em um mês. No fim de 2024, o prefeito foi internado para tratar quadros de neuropatia periférica, pneumonia e sinusite, diarreia e sangramento intestinal.
Declínio da saúde
Desde o início de novembro, quando cumpriu alguns compromissos ao fim da corrida eleitoral, Fuad não realizava aparições públicas presenciais, sendo diplomado via representante e empossado virtualmente, quando apareceu bem debilitado em videochamada. Devido ao tratamento de manutenção após o câncer, o prefeito estaria com a imunidade reduzida e impossibilitado de participar de grandes aglomerações.
Na última internação, Fuad precisou ser entubado em duas ocasiões na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Mater Dei. Exames chegaram a apontar melhora no quadro de pneumonia e, após um boletim médico divulgado no dia 7de janeiro apontar que o prefeito estava “lúcido e orientado”, ele voltou a necessitar de ventilação mecânica após instabilidade respiratória.
O prefeito de Belo Horizonte foi submetido a uma traqueostomia em 10 de janeiro, após complicações. Ele também passou por alguns exames de reavaliação oncológica, mas os resultados reafirmaram a remissão completa do câncer. Durante o período, atualizações sobre o quadro clínico do prefeito davam conta da retirada progressiva de medicamentos e da ventilação mecânica, e informaram que ele estava “acordado e responsivo”.
Dias após a conclusão do tratamento da pneumonia, em 29 de janeiro, Fuad recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva, mantendo os cuidados no quarto. As atualizações divulgadas sobre o quadro do prefeito davam conta de que ele passava por reabilitação motora, respiratória e neurológica, com pequenas
alterações no uso de ventilação mecânica e a informação, já em março, de que ele se alimentava através de sonda.
Internações
O prefeito de Belo Horizonte foi hospitalizado pela primeira vez em 23 de novembro com dores nas pernas e, desde então, mantinha um tratamento contínuo para uma neuropatia periférica. A condição que afeta os nervos e temdores como um dos sintomas é considerada uma consequência do tratamento de câncer.
Fuad já havia dado entrada na mesma unidade de saúde para fazer exames entre 19 e 20 de novembro. As dores teriam se estendido durante a semana e se intensificado. Inicialmente a expectativa era de que o prefeito fosse liberado no dia 24, mas a internação foi mantida para a realização de exames. Ele recebeu alta em 28 de novembro.
No dia 7 de dezembro, Fuad foi internado novamente, dessa vez, com pneumonia e sinusite. A alta ocorreu no dia 15, porém, poucos dias depois, o
chefe do Executivo voltou a ser hospitalizado para tratar um quadro de diarreia e desidratação. Ele chegou a ficar na UTI para ser monitorado, devido a um sangramento intestinal secundário que ocorreu em razão da utilização de anticoagulante oral. O prefeito recebeu alta no dia 23 de dezembro.
Em 3 de janeiro de 2025, Fuad voltou a ser hospitalizado, desta vez com um quadro de insuficiência respiratória aguda. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi diagnosticado mais uma vez com pneumonia. Com aevolução do tratamento, ele foi extubado dois dias depois, permanecendo na UTI, mas voltou a ser intubado em 9 de janeiro, sendo submetido à traqueostomia no dia seguinte.