Vítima é Cristiano Barbosa da Silva, proprietário de uma hamburgueria na Região de Venda Nova; delegado chamou caso de ‘enredo dos piores filmes de terror’
Dois amigos foram presos suspeitos de planejar a morte de um empresário em Belo Horizonte. Os detalhes das investigações foram repassados pela Polícia Civil (PCMG) nesta segunda-feira (8).
A vítima é Cristiano Barbosa da Silva, de 50 anos. Ele era proprietário de uma hamburgueria no bairro São João Batista, na Região de Venda Nova.
Segundo a Polícia Civil, dois amigos da vítima, identificados como Eloísio e Fernando, planejaram o crime para roubar o empresário e se apropriar de um seguro de vida.
“É um crime de desaparecimento que, desde o início, a gente já percebeu que ele tinha uma ação violenta e criminosa. E se converteu no crime de latrocínio, além de outros crimes também envolvidos, como tortura, sequestro, incêndio, ocultação de cadáver e fraude processual”, afirmou o delegado Alexandre Fonseca.
As motivações do crime
Os investigadores apontaram que os amigos tinham raiva de Cristiano por motivos diferentes.
Eloísio foi quem deu a ideia do crime. Cristiano ficou sabendo que ele havia abusado de uma enteada e espalhou a informação para outros amigos.
Além disso, o empresário devia R$ 50 mil a Eloísio por conta da compra de uma moto. Como garantia da dívida, Cristiano fez um seguro de vida, avaliado em R$ 200 mil, em nome de um parente do amigo.
Segundo o delegado Alexandre Fonseca, Cristiano considerava Eloísio como “um pai”. Eles eram amigos há décadas.
O segundo investigado, Fernando, suspeitava que a namorada o traía com Cristiano. Apesar do relacionamento extraconjugal não ter sido comprovado, a Polícia Civil aponta que a causa da raiva do amigo pela vítima era ciúmes.
Além disso, Fernando sabia que o empresário tinha dinheiro na conta, pois havia acabado de vender uma motocicleta Honda CB1000.
A preparação para o crime
A investigação apontou que Eloísio foi quem fez a proposta do crime e sugeriu a repartição do dinheiro.
Na noite de 19 de abril, Fernando buscou um homem e um adolescente no bairro Jardim Alvorada, na Região da Pampulha, e os levou para as proximidades da casa do empresário.
Fernando foi à hamburgueria da vítima, esperou o último motoboy ir embora e deu um sinal para os assassinos contratados se prepararem para o sequestro.
Quando Cristiano entrou em casa, foi dominado e colocado dentro do carro dele, um Volkswagen Polo Preto. Isso aconteceu às 0h40 de 20 de abril.
Empresário foi assaltado e executado
Os autores passaram a madrugada e o início da manhã com Cristiano dentro do carro. Os criminosos transitaram com a vítima pela Grande BH, e o levaram para lugares como o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, Santa Luzia e Esmeraldas.
Por volta das 3h, o grupo retorna ao bairro São João Batista, busca a filha do empresário e a coloca no carro.
Durante a madrugada, os assassinos conseguiram realizar uma transferência de R$ 40 mil. No entanto, o valor ficou bloqueado até às 6h.
Quando o dinheiro caiu na conta, os autores resolveram matar a vítima. Cristiano foi levado para uma estrada rural em Sabará, onde foi executado e teve o corpo ocultado. A filha dele estava no carro e testemunhou o homicídio.
Depois do assassinato, os criminosos levaram a criança para a casa da mãe dela.
‘Enredo dos piores filmes de terror’
Amigos de Cristiano estranharam o sumiço do empresário, procuraram uma delegacia e registraram um boletim de ocorrência.
Logo após a Polícia Civil registrar o desaparecimento, Fernando vendeu o celular da vítima e fugiu para Anápolis, em Goiás. Ele foi localizado e preso, no dia 1º de maio, em Brasília.
Fernando confessou o crime, indicou o local onde o corpo foi ocultado e falou da participação de Eloísio na trama, que foi preso na última quinta-feira (4).
Um dos assassinos contratados para o crime foi detido nesse domingo (7) no bairro Jardim Alvorada. O outro é um adolescente, de 15 anos, que continua solto.
“A gente tem um enredo dos piores filmes de terror. Tudo o que vocês podem imaginar ocorreu dentro dessa cena criminosa”, afirmou o delegado Júlio Wilke, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).









