O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22/9), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que o Brasil pretende ampliar os benefícios obtidos com a exploração de seus minerais críticos e terras raras. Segundo ele, os recursos brasileiros são necessários para a transição energética mundial, mas o acesso a essas riquezas deverá trazer contrapartidas ao país.
Entre as condições citadas pelo presidente estão a geração de valor em território nacional, a transferência de tecnologia e o atendimento de setores considerados estratégicos para o Brasil.
“Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas”, afirmou Lula.
A posição apresentada na ONU reforça a estratégia do governo de buscar uma participação maior do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos. A proposta é reduzir a dependência da simples exportação de recursos naturais e ampliar as etapas de beneficiamento e produção de maior valor agregado dentro do país.
O discurso aconteceu menos de uma semana depois da sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). Entre os objetivos da política estão justamente o aumento do beneficiamento e da transformação desses recursos no Brasil, além do estímulo à pesquisa, à inovação e à industrialização.
A PNMCE havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados no início de maio, mas permaneceu por meses no Senado. A proposta voltou à pauta em agosto, após a entrada do governo dos Estados Unidos no projeto de terras raras Serra Verde, em Goiás.
A defesa de maior controle sobre os recursos estratégicos também apareceu no discurso de Lula quando o presidente tratou da relação entre os países da América Latina e os Estados Unidos. Ele afirmou que a proximidade com “a maior potência militar do mundo” é inevitável, mas fez críticas ao que classificou como “tentações hegemônicas”.
Na mesma parte de sua fala, Lula criticou a divisão do mundo em zonas de influência e mencionou as “investidas neocoloniais por recursos estratégicos”. O presidente defendeu que os países latino-americanos tenham autonomia para definir o destino de seus próprios recursos e seus caminhos de desenvolvimento.
As declarações ocorrem em um cenário de maior tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, com divergências que envolvem comércio, soberania e recursos estratégicos.
Logo após o discurso de Lula, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também falou na Assembleia Geral da ONU. Em sua participação, voltou a fazer ameaças de utilização da força militar em países da América Latina e do Caribe para garantir os interesses da Casa Branca na região.












