Em Ubá, resta o último desaparecido, Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos
Passaram-se cinco dias desde que as enxurradas provocadas pela chuva extrema que atingiu Ubá, na Zona da Mata, na madrugada de terça-feira (24), fizeram dois homens desaparecer. A passagem do tempo, além de acentuar a angústia dos familiares, também marca o avanço da decomposição dos corpos. Foi um cheiro forte e fétido que levou moradores ribeirinhos às margens do Rio Ubá, onde encontraram Alex Lucas Pinto, empresário de 35 anos, arrastado pela força da água enquanto tentava ajudar outras pessoas.O rio levou Alex a cerca de 9 quilômetros de distância do ponto onde foi arrastado pela enxurrada, no calçadão da Avenida Beira-Rio. Por uma casualidade do destino, um amigo o reconheceu por uma tatuagem — marca do que é eterno, como a memória que permanecerá.
Conforme apurado com o Corpo de Bombeiros, a localização do corpo de Alex orienta, agora, cerca de 30 militares nas buscas pelo último desaparecido na mesma região. O olfato apurado de cães farejadores é uma das estratégias adotadas, mas, a essa altura, até mesmo os humanos conseguem captar indícios da presença de um corpo.

Os militares caminham às margens do Rio Ubá, próximo à ponte na rodovia Ubá–Guidoval. No local, como o nível do curso d’água baixou, é possível ver os rastros da destruição provocada pelo desastre climático: restos de móveis e entulho acumulam-se nas beiradas, e há pontos de erosão do solo causados pela força da água. Árvores caídas obrigam os bombeiros a pular troncos e a fazer desvios.
Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, é o último desaparecido da tragédia que já deixou mais de 70 mortos. Ele foi arrastado pela enxurrada quando a água invadiu a casa onde estava.
Luciano era namorado de Edna Silva, de 56 anos, que conseguiu se salvar ao permanecer agarrada a um poste por cerca de três horas.








