
A interrupção temporária das atividades na planta de Samambaia, operada pela Mineração Usiminas (MUSA) em Itatiaiuçu, na Região Central de Minas Gerais, já provocou um impacto financeiro de quase R$ 14 milhões para a companhia. De acordo com o balanço referente ao terceiro trimestre de 2026, a suspensão das operações, iniciada em 2 de setembro, resultou em R$ 13,936 milhões em despesas contabilizadas até o fim daquele mês.
O montante aparece na nota 1(c) das demonstrações financeiras divulgadas nesta quinta-feira (30), classificado como “outras despesas operacionais”. O registro reúne provisões relacionadas à desmobilização da unidade e gastos necessários para manter máquinas e estruturas da mina, mesmo com as atividades interrompidas. A empresa voltou a destacar que a medida é temporária e que não existe, até o momento, qualquer definição sobre o encerramento definitivo da planta.
A decisão de suspender Samambaia foi motivada pelas condições desfavoráveis do mercado internacional de minério de ferro. A desvalorização das cotações na Ásia, combinada com a forte elevação do frete marítimo, que chegou a se aproximar de US$ 38 por tonelada, comprometeu a viabilidade econômica da operação.
A unidade representava uma parcela expressiva da capacidade produtiva da Mineração Usiminas, sendo responsável por aproximadamente 35% do volume anual da empresa, o equivalente a cerca de 3,15 milhões de toneladas. Apesar da paralisação em Samambaia, as atividades da Mina Oeste e da planta de Flotação, que integram o mesmo complexo, continuaram funcionando normalmente.
Os efeitos da interrupção também ficaram evidentes nos resultados operacionais da divisão de mineração. Entre julho e setembro, a comercialização de minério de ferro somou 2,014 milhões de toneladas, volume 18% inferior ao registrado no trimestre anterior. A produção também apresentou retração: foram 1,92 milhão de toneladas no período, uma redução de 13,1% em relação ao segundo trimestre e de 20% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.
A queda nos volumes, aliada às despesas provocadas pela suspensão da unidade e ao ambiente internacional desfavorável, pressionou os resultados financeiros da operação. O Ebitda ajustado da mineração recuou 73% em apenas um trimestre, passando de R$ 71 milhões entre abril e junho para R$ 19 milhões entre julho e setembro. Já a receita líquida teve queda de 23%, alcançando R$ 668 milhões.
Ainda sem uma perspectiva concreta de redução dos custos com o transporte marítimo, a Usiminas não estabeleceu um prazo para reativar Samambaia. No balanço, a administração informou que a estratégia neste momento está concentrada na preservação das reservas minerais físicas. A orientação indica que a empresa deverá manter uma postura cautelosa em relação aos embarques de minério também no quarto trimestre, buscando evitar que as condições do mercado continuem comprometendo as margens da divisão.








