
A Serra Verde, reconhecida como a primeira mineradora de terras raras em atividade no Brasil, recebeu uma multa em Goiás após a identificação de desmatamento de vegetação nativa em uma região de nascentes no Cerrado.
De acordo com documentos e relatórios de fiscalização do Ibama analisados pelo Observatório da Mineração, a supressão vegetal atingiu nascentes do Córrego Lajes em uma extensão entre 2 e 3 quilômetros. A área está ligada ao sistema de drenagem que segue até o Rio Areias.
Segundo os registros, o local teria sido utilizado para deposição de materiais diversos, inclusive em processos de secagem, além do armazenamento da camada superficial do solo. A situação levou o órgão ambiental a exigir medidas de correção e maior controle sobre a operação.
Licenciamento da Serra Verde entra em debate entre órgãos ambientais
A autuação também resultou na mudança do processo de licenciamento ambiental para a modalidade corretiva, além da exigência de um plano de regularização ambiental. Fiscalizações realizadas em 2024 e 2025 apontaram que ainda permanecem pontos considerados críticos, principalmente relacionados à drenagem e ao risco de erosão.
Embora o Ibama tenha reconhecido que a empresa adotou algumas medidas, o entendimento foi de que as ações ainda não foram suficientes para garantir a mitigação necessária dos impactos observados.
O caso ganhou ainda mais repercussão em meio ao aumento da atenção internacional sobre o setor de terras raras, especialmente após a divulgação de negociações envolvendo a possível compra da Serra Verde pela USA Rare Earth.
Outro ponto em debate envolve a responsabilidade pelo licenciamento ambiental. A legislação citada no processo indica que, por envolver beneficiamento e armazenamento de materiais com radionuclídeos das séries do urânio e do tório, a competência seria federal. No entanto, houve delegação ao órgão estadual por meio de uma Instrução Normativa do Ibama.
Em despacho publicado em 2 de abril de 2026, a coordenação de licenciamento do Ibama apontou “inconformidades” e sugeriu a análise sobre uma possível retomada do processo pelo órgão federal. Mesmo assim, o instituto informou que “não se identificam, no presente momento, elementos que justifiquem tal medida”.







