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Vale avalia emissão de títulos na China ainda em 2026 e adia planos de IPO da área de metais básicos

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A Vale avalia realizar ainda em 2026 sua estreia no mercado de títulos da China. A possibilidade está sendo considerada pela companhia em um momento de aproximação financeira entre Brasil e China e acompanha o movimento do governo brasileiro, que planeja captar recursos no mercado chinês por meio de sua primeira emissão de “panda bonds”.

A estratégia também está relacionada à importância do mercado chinês para a mineradora. A China responde por cerca de metade da receita da Vale e é o principal destino do minério de ferro produzido pela companhia. Para o diretor financeiro da empresa, Marcelo Bacci, esse peso torna natural a busca por alternativas de financiamento no país asiático.

“Estamos preparando a empresa para isso”, afirmou Bacci em entrevista na quarta-feira ao programa “Bloomberg Open Interest”. Segundo o executivo, uma eventual emissão de títulos na China poderá ocorrer “possivelmente ainda em 2026”.

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O mercado de dívida doméstico chinês vem passando por um processo de desenvolvimento para receber emissores internacionais. Em junho, o Banco Popular da China afirmou considerar positiva a participação de tomadores brasileiros nesse mercado.

A Vale acompanha esse movimento enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para captar cerca de 10 bilhões de yuans em sua primeira emissão de “panda bonds”, também prevista para este ano. A iniciativa busca ampliar as fontes de financiamento do Brasil, diminuir a dependência de dívidas denominadas em dólares e estreitar os vínculos financeiros com Pequim.

Bacci destacou, porém, que o mercado chinês ainda apresenta características próprias para empresas internacionais. As emissões costumam ser menores, geralmente entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, e com vencimentos mais curtos.

“Normalmente, as empresas consideram um prazo de dois, três, cinco anos. Estamos testando o mercado para ver se é possível ir além disso”, disse o CFO.

Enquanto analisa uma possível captação na China, a Vale também mantém sua estratégia de diversificação para além do minério de ferro. Nesse contexto, a companhia não considera prioritária, pelo menos nos próximos um ou dois anos, uma oferta pública inicial de ações (IPO) da Vale Base Metals, subsidiária responsável pelos negócios de cobre e níquel.

O cobre vem ganhando espaço no portfólio da mineradora, impulsionado pela demanda associada à transição energética. A Vale vem acelerando projetos no Brasil, mas, segundo Bacci, a prioridade neste momento é ampliar a produção ao longo dos próximos anos.

A companhia tem como meta dobrar a produção de cobre da Vale Base Metals para 700 mil toneladas até 2035. Shaun Usmar assumiu o comando da subsidiária em 2024 com a missão de reestruturar os negócios de cobre e níquel e prepará-los para uma eventual abertura de capital. Em março, ele afirmou que o objetivo era deixar a empresa pronta para um IPO por volta de meados do ano.

Apesar disso, Bacci afirmou que a Vale dispõe atualmente de capital suficiente para financiar a expansão na área de metais básicos. Uma eventual mudança no cenário do cobre, contudo, poderia levar a companhia a rever seus planos.

Segundo o executivo, se o mercado mantiver a trajetória atual, novas oportunidades de crescimento podem aparecer, inclusive por meio de fusões e aquisições. Nesse cenário, uma abertura de capital da Vale Base Metals poderia voltar a ser considerada no futuro.

A avaliação ocorre em um contexto no qual o valor de mercado da Vale permanece entre os mais baixos entre as grandes mineradoras diversificadas. Para analistas da Bloomberg Intelligence, em nota publicada nesta semana, esse desempenho provavelmente reflete a forte dependência da companhia em relação ao minério de ferro.

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