
Militar afirma que esposa recusou atendimento médico após queda, mas capitã chegou ao hospital morta; Polícia Civil investiga se versão é compatível com os ferimentos.
A morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, ganhou novos desdobramentos após o depoimento do sargento Eduardo, preso como principal suspeito do caso. Em seu relato à polícia, o militar afirmou que o casal consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy antes de manter relações sexuais com práticas de dominação e agressões físicas consensuais na residência onde moravam, em Belo Horizonte.
Segundo o depoimento, o casal havia realizado uma confraternização na noite anterior e, após a saída dos convidados, por volta das 5h da manhã, iniciou uma relação sexual envolvendo práticas conhecidas como “spanking”, que consistem em agressões físicas consentidas durante o ato sexual. O sargento afirmou que esse tipo de prática fazia parte da rotina do relacionamento, que durava cerca de oito anos, e que as cenas teriam sido gravadas em vídeo.
Ainda conforme o relato apresentado à Polícia Militar, por volta do meio-dia Michele teria caído enquanto descia uma escada da residência, sofrendo um corte profundo na cabeça e lesões na boca. O militar disse que prestou os primeiros socorros, controlou o sangramento e colocou a esposa para descansar. Segundo ele, a capitã recusou atendimento médico por estar constrangida em razão do consumo de drogas.
O sargento declarou ainda que ambos dormiram por volta das 15h e que, ao acordar, aproximadamente às 21h, percebeu que Michele não respondia aos estímulos. Ele então a levou ao Hospital Odilon Behrens.
No entanto, conforme a equipe médica, a capitã já chegou sem vida à unidade de saúde e havia morrido cerca de quatro horas antes. Os profissionais identificaram traumatismo craniano e diversas lesões espalhadas pelo corpo da vítima.
Diante das circunstâncias, o sargento foi preso e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a causa da morte. Os investigadores buscam esclarecer se a versão apresentada pelo militar é compatível com os ferimentos encontrados e aguardam os laudos da perícia e do exame de necropsia.
O caso segue sob investigação, e a conclusão dependerá das provas técnicas, dos exames periciais e da análise dos vídeos e demais elementos recolhidos durante a apuração.








