Declaração foi dada durante exame que atestou insanidade mental do acusado
O homem de 27 anos investigado por matar e decapitar a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, no bairro Nova Cachoeirinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte, afirmou que deseja ser julgado pelo crime, mesmo tendo sido considerado incapaz de responder por seus atos em perícia realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais.
A declaração foi feita durante entrevista conduzida por dois médicos-legistas, no âmbito do exame de sanidade mental. Segundo o relatório, o investigado disse que “deveria ser julgado pelo crime que cometeu” e completou: “Que seja feito justiça (sic)”.
O laudo pericial concluiu que o suspeito apresenta um quadro psicótico, classificado como CID-10 F29, e que, no momento do homicídio, era totalmente incapaz de compreender o caráter ilícito de suas ações ou de agir de acordo com esse entendimento. Diante desse diagnóstico, os peritos recomendaram tratamento em regime de internação psiquiátrica.
Com base no documento, caberá agora à Justiça decidir se o investigado será considerado inimputável. Caso isso ocorra, ele não receberá pena criminal, mas deverá ser submetido à internação em uma instituição psiquiátrica.
Durante o depoimento, o homem fez uma série de declarações desconexas. Em um dos trechos, afirmou que “passado, presente e futuro são praticamente a mesma coisa” e disse acreditar que sua mãe e outras pessoas já sabiam qual seria o desfecho da situação.
“Eu sentia minha mãe um encosto, ela tem casa física, mas não tem casa espiritual. Eu sou físico, quântico e espiritual nessa trindade. No físico tem as necessidades básicas, no quântico seria pontos, feixes de luz energéticos no nosso campo de visão, luminosos, ausência de luz, vermelho, azul, diversas cores; no espiritual é o eu verdadeiro, minha mãe não tinha essa terceira casa, parece que ela queria a casa que eu não tinha conhecimento que eu tinha mas que eu sempre tive, amor no coração e amor pela vida. Minha mãe se colocava num patamar muito superior, ela queria que eu a invejasse (…)”, diz um trecho do relato registrado na perícia.
Ainda durante o exame de sanidade mental, o investigado afirmou que retirou a cabeça da vítima porque queria verificar “se ela era ser humano ou máquina”. Segundo ele, acreditava que a mãe “poderia ser um robô mal programado” e que precisava confirmar se havia “estrutura óssea” dentro do corpo.
Ao falar sobre sua rotina antes do crime, contou que estava desempregado havia oito meses e dependia financeiramente da mãe apenas para alimentação. Disse se considerar “seu próprio terapeuta, professor de violino, cuidador de idosos” e afirmou que realizava diversas tarefas domésticas sem receber remuneração. Também relatou que, após retornar de Portugal, trabalhou durante um mês como analista de dados, mas deixou o emprego porque sentia dores e tinha dificuldade para sair de casa.
Questionado sobre o que fez após o homicídio, o homem relatou que fumou um cigarro, colocou músicas xamânicas e de meditação para descansar e, em seguida, dormiu.
“Aí eu acordei de noite e fui tomar outro banho. Eu voltei no quarto uma vez, depois eu só passava e via as pegadas de sangue no chão. Eu pensava ‘é, ela morreu’. Depois que ela morreu a paz durou pouco, parece que eu tinha me acostumado com os abusos, parece que depois que ela morreu fez falta, mas o que mais fez falta foi perder a vida confortável que eu tinha, de não ser CLT, de ter uma mãe que paga as contas”, afirmou.
O suspeito também contou que chegou a pensar em se jogar do prédio por sentir culpa por ter matado “uma pessoa”. Apesar disso, declarou que não via a vítima como sua mãe. “Se fosse minha mãe, eu jamais teria cogitado assassinar ela”, disse durante o depoimento.









