
Itabira está entre os municípios mineiros que mais se destacaram na geração de empregos formais na construção civil em 2026. Entre janeiro e agosto, a cidade registrou a abertura de 2,29 mil postos de trabalho, resultado que corresponde a aproximadamente 1,9 mil novas vagas para cada 100 mil habitantes. O desempenho coloca o município em evidência em um cenário de expansão das obras de infraestrutura no interior de Minas Gerais.
Os números fazem parte do levantamento “Desempenho da Construção Civil no 3° trimestre de 2026 e perspectivas”, elaborado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O estudo aponta que as obras de infraestrutura foram responsáveis por mais da metade dos empregos criados pelo setor no estado nos oito primeiros meses do ano.
Das 25,3 mil vagas com carteira assinada abertas pela construção civil mineira entre janeiro e agosto, 13,4 mil tiveram origem nesse segmento. Em contrapartida, a construção de edifícios respondeu por apenas 1,9 mil novos postos de trabalho no mesmo período.
Além de Itabira, Araxá, no Alto Paranaíba, também apresentou desempenho expressivo, com 2,18 mil empregos gerados, o equivalente a aproximadamente 1,8 mil vagas por 100 mil habitantes. Os resultados reforçam o avanço da construção civil em municípios do interior, impulsionado por investimentos privados, empreendimentos industriais e obras de maior porte.
A economista Ieda Vasconcelos, responsável pelo relatório e representante do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e da CBIC, destaca que a ampliação das obras de infraestrutura ajuda a explicar o desempenho dessas cidades. Segundo ela, intervenções realizadas pelas administrações municipais, como pavimentação, revitalização e construção de espaços públicos, também contribuem para movimentar o mercado de trabalho.
“Existem obras públicas municipais, como revitalização, pavimentação e construção de novos espaços públicos. Tudo isso influencia, especialmente em cidades menores. E no caso de Itabira, a gente tem a infraestrutura e a mineração. A cidade abriga grandes operações industriais, e isso gera uma demanda contínua por obras”, observa.
O levantamento também evidencia a importância das capitais na geração de empregos do setor. Belo Horizonte ocupou a quarta posição entre as cidades brasileiras que mais criaram vagas formais na construção civil nos primeiros oito meses de 2026, ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza, considerando o saldo absoluto de empregos.
Infraestrutura impulsiona contratações
O cenário observado em Minas Gerais acompanha uma tendência nacional de fortalecimento das obras de infraestrutura. No Brasil, o segmento criou 79 mil empregos formais entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 26,89% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Já a construção de edifícios abriu 66 mil vagas, uma redução de 11,67% na comparação anual.
Na avaliação de Ieda Vasconcelos, a diferença entre os resultados está relacionada principalmente às condições de financiamento de cada atividade. Enquanto os projetos de infraestrutura costumam contar com investimentos de longo prazo e diferentes fontes de recursos, o mercado imobiliário sofre impactos mais diretos das taxas de juros.
“A construção de edifícios, que é o mercado imobiliário, é fortemente impactada pelo nível da taxa de juros”, avalia.
O custo do crédito interfere tanto na capacidade de compra dos consumidores quanto nas decisões das empresas responsáveis pelos empreendimentos, que dependem de financiamento para viabilizar novos projetos. Segundo a economista, o nível elevado dos juros e a redução mais lenta das taxas têm limitado a disposição dos empresários para iniciar novas construções.
Nas obras de infraestrutura, por outro lado, existem diferentes possibilidades de financiamento. Além dos recursos públicos, o segmento recebe aportes privados e conta com empreendimentos de execução mais prolongada. Parte desses projetos também pode obter financiamento de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em condições diferentes das disponíveis para o mercado imobiliário.
Juros e custos pressionam a construção civil
Mesmo com a abertura de novos postos de trabalho, os indicadores de atividade apontam dificuldades enfrentadas pelas empresas da construção civil. A Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da CBIC, registrou 45,9 pontos no terceiro trimestre de 2026. No trimestre anterior, o indicador havia alcançado 47,8 pontos. Resultados abaixo de 50 pontos sinalizam retração da atividade na percepção dos empresários.
Entre os principais obstáculos apontados pelo setor, a taxa de juros elevada aparece em primeiro lugar. O problema foi mencionado por 40% dos empresários consultados, maior percentual desde o terceiro trimestre de 2023.
Os custos dos materiais e serviços também seguem pressionando as empresas. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,64% em 12 meses até setembro, superando a inflação oficial, que ficou em 4,58% no mesmo intervalo.
Para Ieda Vasconcelos, o custo elevado do crédito reduz a capacidade de investimento das empresas e pode provocar o adiamento de novos empreendimentos. Ainda assim, os efeitos sobre o setor são parcialmente compensados pela continuidade das obras de infraestrutura, que possuem fontes de financiamento e características próprias.
CBIC projeta crescimento de 1,2% no ano
Apesar dos desafios relacionados aos juros e aos custos da construção, a CBIC mantém a previsão de crescimento de 1,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em 2026.
A expectativa é de uma expansão moderada, sustentada pelos resultados registrados no primeiro semestre e pelo avanço de obras de maior porte. Nesse contexto, o desempenho de municípios como Itabira evidencia a contribuição dos investimentos em infraestrutura e da atividade industrial para a geração de empregos no interior mineiro.
Com informações de Ana Luisa Sales / Diário do Comércio.








