
A Delegacia da Polícia Civil de Itabira voltou a ser alvo de preocupação em razão da redução do efetivo e das condições de trabalho enfrentadas pelos servidores. Representantes do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol-MG) estiveram novamente no município, desta vez acompanhados por um representante da Justiça do Trabalho, para verificar a estrutura da unidade e as condições oferecidas aos policiais civis.
Segundo informações obtidas pela reportagem junto a fontes ligadas à corporação, a visita teve como objetivo realizar uma inspeção técnica nas instalações da delegacia, ouvindo servidores e levantando as principais dificuldades enfrentadas no dia a dia. Ao final da fiscalização, um relatório deverá ser elaborado apontando a realidade encontrada e as necessidades da unidade.
Déficit de investigadores preocupa
De acordo com as informações apuradas, a Delegacia de Polícia Civil de Itabira enfrenta um déficit de aproximadamente 20 investigadores, número considerado insuficiente para atender à demanda de ocorrências e procedimentos da comarca.
Embora o Governo de Minas Gerais tenha anunciado a destinação de quatro investigadores para a região, na prática apenas dois permaneceram em Itabira. Um dos servidores foi designado para o município de Ferros e outro acabou transferido para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, mantendo o quadro de deficiência no efetivo.
Ainda conforme fontes da Polícia Civil, a falta de investigadores compromete diretamente o andamento das investigações, aumenta a sobrecarga dos policiais e dificulta o atendimento à população.
A situação também chama atenção em municípios vizinhos. Em Santa Maria de Itabira, por exemplo, informações obtidas pela reportagem indicam que a delegacia não possui sequer um investigador da Polícia Civil, funcionando com servidores cedidos pela prefeitura.
Relatório vai apontar a situação das delegacias
O levantamento promovido pelo Sindpol-MG integra uma série de visitas técnicas às delegacias da região. O objetivo é documentar as condições estruturais, o quadro de pessoal e a realidade enfrentada pelos policiais civis para subsidiar futuras reivindicações junto ao Governo de Minas.
Segundo representantes da entidade, a diminuição do efetivo ao longo dos últimos anos tem comprometido a capacidade de investigação e prejudicado a prestação dos serviços de polícia judiciária em diversas cidades mineiras.
Presidente do Sindpol-MG critica situação da Polícia Civil
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente do Sindpol-MG (Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais), o investigador Wemerson Silva de Oliveira, fez críticas ao governador Mateus Simões, questionando os investimentos anunciados para a Polícia Civil.
Segundo Wemerson Silva de Oliveira, o governo tem divulgado a entrega de viaturas descaracterizadas, porém muitos dos veículos seriam apenas automóveis já existentes que receberam nova plotagem e sinalização luminosa, sem equipamentos considerados essenciais para o trabalho policial, como rádio comunicador.
Durante a manifestação, o presidente do sindicato destacou a realidade enfrentada pela Delegacia de Itabira.
“Em especial eu digo da Delegacia de Itabira, que não está tendo condições de investigar os crimes”, afirmou.
O investigador também defendeu que o principal desafio da Polícia Civil é a recomposição do efetivo.
“Quando o efetivo diminui ano após ano, é legítimo questionar se os investimentos anunciados estão atacando o principal problema da instituição. A Polícia Civil precisa de equipamentos, mas também precisa de investigadores, valorização e recomposição do efetivo. É essa coerência que o Sindpol-MG continuará cobrando”, declarou.
Posicionamento
O Notícias Uai entrou em contato com a Polícia Civil, que enviou a seguinte nota:
“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que a Delegacia Regional de Itabira mantém suas atividades de polícia judiciária e investigação criminal de forma regular, assegurando o atendimento à população e a apuração das infrações penais em toda a sua circunscrição. Recentemente, investigadores e escrivães foram designados para atuar no âmbito do 12º Departamento de Polícia Civil.
Quanto ao efetivo policial, a distribuição de servidores segue o planejamento institucional e pode ser ajustada conforme as demandas e prioridades da segurança pública.
A PCMG também acompanha, continuamente, as instalações das unidades policiais, para intervenções necessárias a condições adequadas ao desempenho das atividades.
A instituição respeita a atuação das entidades representativas e está à disposição para prestar informações, que se fizerem necessárias, no âmbito dos procedimentos administrativos cabíveis.
A Polícia Civil de Minas Gerais reitera seu compromisso com a eficiência, a legalidade e a transparência.”








