
BELO HORIZONTE (MG) – Quase cinco anos após um dos episódios mais violentos envolvendo torcidas organizadas em Minas Gerais, a Justiça voltou a condenar três integrantes ligados à torcida organizada do Cruzeiro pelo ataque a um ônibus que resultou na morte do atleticano Mateus de Freitas Ferreira, de 20 anos, e deixou outras pessoas feridas. O novo julgamento foi concluído na noite desta quarta-feira (29), no Tribunal do Júri.
As condenações ficaram definidas da seguinte forma:
- Riquelme Enderson Ribeiro da Silva: 48 anos e 6 meses de prisão;
- Luiz Gustavo da Silva Veloso: 24 anos de prisão;
- Pedro Henrique Coimbra Braga: 20 anos de prisão.
O processo envolvendo o quarto acusado, Samuel Paixão de Souza, foi separado após a defesa alegar problemas de saúde do advogado. Ainda não há data definida para o novo julgamento.
Ataque brutal após partida de futebol

O crime ocorreu em 28 de novembro de 2021, logo após a partida entre Atlético e Fluminense. Segundo a denúncia do Ministério Público, integrantes da torcida organizada Máfia Azul interceptaram um ônibus da linha 6350 (Estação Barreiro/Estação Pampulha) na Rua Desembargador Reis Alves, no bairro Novo das Indústrias, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte.
Os criminosos lançaram pedras, barras de ferro, pedaços de madeira e artefatos explosivos contra o coletivo. Durante o ataque, Mateus de Freitas Ferreira tentou escapar da violência, mas acabou morrendo. Outras nove pessoas ficaram feridas.
Durante as investigações, a polícia apreendeu no veículo utilizado pelos acusados bastões de madeira, bombas caseiras, um soco inglês e um foguete, reforçando a tese de que a ação foi planejada.
Julgamentos haviam sido anulados
Os quatro acusados já haviam sido condenados em 2024. Entretanto, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais anulou os julgamentos por entender que houve cerceamento de defesa, determinando que todos fossem submetidos a um novo Tribunal do Júri.
Com a nova decisão, três dos acusados voltaram a ser condenados, enquanto o quarto ainda aguarda julgamento.
O caso é considerado um dos episódios mais marcantes da violência entre torcidas organizadas em Minas Gerais e reacende o debate sobre a necessidade de medidas mais rígidas para combater confrontos ligados ao futebol.








