
Mulher foi detida em um coworking no bairro Glória, na Região Noroeste da capital; polícia identificou ao menos seis possíveis vítimas
Uma mulher foi presa nesta terça-feira (18) em um espaço de coworking no bairro Glória, na Região Noroeste de Belo Horizonte, suspeita de aplicar o golpe do falso emprego para obter dados pessoais e biométricos de candidatos. Segundo a Polícia Militar, em um dos casos investigados, os dados de uma vítima teriam sido usados em tentativas de financiamento de um veículo.
De acordo com a corporação, a suspeita utilizava diferentes identidades e documentos possivelmente falsificados para alugar salas em espaços de coworking. Nos locais, ela realizava supostos processos seletivos e, durante as entrevistas, solicitava informações pessoais, fotografias e, em alguns casos, a captação da biometria facial dos candidatos.
A prisão ocorreu após o proprietário de um coworking acionar a Polícia Militar. Ele havia recebido o contato de uma mulher interessada em alugar uma sala para realizar supostas entrevistas de emprego. O responsável pelo estabelecimento percebeu semelhanças entre a fotografia do documento apresentado e imagens que já haviam sido compartilhadas em grupos de proprietários de coworkings sobre suspeitas de fraude.
No horário marcado, a mulher compareceu ao local usando a identidade apresentada para a locação da sala. Durante a abordagem, porém, forneceu outro nome e não apresentou documento de identificação.
Durante as diligências, os policiais localizaram imagens de diferentes Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs), com nomes e qualificações distintas, mas com a fotografia da mesma mulher. Segundo a PM, levantamentos realizados pelo Serviço de Inteligência indicaram que os documentos apresentados não corresponderiam às pessoas identificadas neles.
Natural de Curitiba, no Paraná, a suspeita possui registros policiais anteriores relacionados ao tráfico internacional de drogas, conforme informações da Polícia Militar.
Falsas vagas com salários elevados
A investigação apontou um possível padrão de atuação. As vítimas recebiam contatos telefônicos de uma pessoa que se apresentava como representante de uma empresa de recrutamento e oferecia vagas de emprego com salários elevados e benefícios.
Depois do primeiro contato, os candidatos eram encaminhados para espaços previamente alugados para participar das supostas entrevistas. No local, eram orientados a preencher fichas com dados pessoais e, em determinadas situações, autorizavam a realização de fotografias ou procedimentos de captação de biometria facial.
No coworking onde a suspeita foi abordada, os militares encontraram cadernos e fichas com informações de pessoas que participariam das entrevistas. O material ajudou a polícia a identificar possíveis vítimas e aprofundar as diligências.
Dados teriam sido usados em tentativa de financiamento
Uma das vítimas procurou a Polícia Militar e relatou que havia participado de uma suposta entrevista de emprego no dia anterior. Durante o encontro, forneceu dados pessoais e foi submetida a um procedimento de captação de biometria facial.
Segundo o relato, a suposta entrevistadora teria insistido por mais de uma hora para realizar o procedimento. Cerca de cinco minutos depois de deixar o local, a vítima recebeu uma ligação de sua gerente bancária questionando uma possível compra de veículo em Curitiba.
A jovem contou aos policiais que houve três tentativas de utilização de sua biometria facial para contratar o financiamento de um carro. As operações, no entanto, não foram concluídas porque o banco recusou as transações.
Ainda segundo a vítima, aquela suposta entrevista de emprego havia sido a única situação em que, naquele período, ela havia fornecido dados pessoais e permitido a captação de imagens de seu rosto.
Até o momento, pelo menos seis possíveis vítimas foram ouvidas pela Polícia Militar. A corporação não descarta que outras pessoas tenham sido abordadas pelo mesmo esquema.
A suspeita foi encaminhada para as providências cabíveis, e o caso deverá ser investigado para esclarecer a origem dos documentos, identificar outras possíveis vítimas e apurar a extensão das fraudes.









