
Pai é condenado a 24 anos de prisão, filho recebe pena de 18 anos e dois primos são condenados a 15 anos cada; crime teria sido motivado por acusação de furto de carregador de pistola
Cinco homens foram condenados pela Justiça pela tortura e morte de Fernanda Gonçalves do Vale, de 33 anos, catadora de materiais recicláveis assassinada em Belo Horizonte. As condenações ocorreram em menos de dois anos após o crime, que, segundo as investigações, teria sido praticado como uma espécie de punição imposta pelo chamado “tribunal do crime”.
O pai de um dos envolvidos foi condenado a 24 anos de prisão, enquanto o filho recebeu pena de 18 anos. Dois primos envolvidos no crime foram condenados a 15 anos de prisão cada.
Fernanda foi assassinada depois de ser acusada por traficantes de ter furtado um carregador de pistola. Conforme as investigações, porém, o objeto teria sido encontrado junto ao material reciclável recolhido pela vítima. Testemunhas disseram à polícia que Fernanda não sabia que o carregador estava entre os materiais e acabou vendendo tudo junto.
Vítima foi torturada antes de ser morta
As investigações apontaram que Fernanda foi brutalmente agredida. Ela teria recebido socos e chutes dentro da casa de um dos envolvidos. Na sequência, a vítima teria sido arrastada por aproximadamente 20 metros pela rua enquanto continuava sendo agredida.
Depois das agressões, Fernanda foi morta e o corpo foi empurrado para uma ribanceira.
De acordo com a Polícia Civil, um dos suspeitos teria iniciado as agressões dentro da própria residência, com a participação do filho. Outros envolvidos teriam dado continuidade à violência e ajudado a arrastar a vítima até o local onde ela foi morta.
Crime teria sido uma “sentença” do tráfico
A principal linha da investigação apontou que a violência foi determinada pelo chamado “tribunal do crime”, expressão utilizada para descrever julgamentos e punições clandestinas impostas por integrantes de grupos criminosos.
O caso chocou pela brutalidade e pela motivação atribuída ao assassinato: uma acusação de furto que, segundo os elementos reunidos na investigação, teria ocorrido sem que a vítima sequer soubesse que o carregador estava entre os materiais que recolhia.
Com as condenações, os cinco envolvidos receberam penas que, somadas, ultrapassam 87 anos de prisão, encerrando na Justiça a responsabilização dos acusados pela morte da catadora.
O caso reforça o alerta das autoridades para a atuação de grupos criminosos que tentam impor suas próprias regras, substituindo a Justiça por violência e execuções clandestinas.










