
O negócio de cobre da Vale apresentou avanço expressivo no terceiro trimestre de 2026, com crescimento de 66% no Ebitda Proforma em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre julho e setembro, o indicador chegou a US$ 1 bilhão, frente aos US$ 614 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. A evolução foi favorecida pela valorização do metal no mercado internacional e pela redução dos custos operacionais.
O desempenho foi apresentado pela mineradora na quinta-feira (29), durante a divulgação de seu balanço financeiro e operacional. Considerando todas as áreas de atuação, o Ebitda Proforma da companhia totalizou US$ 3,5 bilhões. O indicador desconsidera efeitos não recorrentes e impactos associados aos processos de reparação e descaracterização de barragens, permitindo observar de maneira mais direta os resultados das operações.
Na divisão de minério de ferro, a empresa conseguiu ampliar o volume comercializado mesmo diante de um cenário internacional desafiador. Com o aproveitamento de estoques acumulados nos trimestres anteriores, as vendas cresceram 300 mil toneladas em relação ao terceiro trimestre de 2025, alcançando 86,3 milhões de toneladas.
O Ebitda Proforma desse segmento foi de US$ 2,6 bilhões. O resultado ocorreu apesar da pressão exercida pela queda dos preços do minério, pelo encarecimento dos fretes e pela valorização do real. Parte desses efeitos foi amenizada pela política de contratação de transporte marítimo de longo prazo e pelas operações de hedge, utilizadas para reduzir a exposição às oscilações do mercado.
Em comunicado, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, destacou a importância da estratégia adotada pela companhia para preservar os resultados em um cenário de mudanças nas condições de mercado.
“Em um ambiente de mercado dinâmico, a flexibilidade de nosso portfólio, nossa estratégia de frete e nosso programa de hedge ajudaram a proteger as margens e a sustentar uma sólida geração de fluxo de caixa”, afirmou.
Para o executivo, os números demonstram a capacidade da empresa de lidar com as variações do mercado internacional, mantendo o foco na eficiência operacional e no fortalecimento de sua posição financeira.
Produção de cobre e níquel segue em crescimento
A Vale mantém a perspectiva de encerrar 2026 na parte superior das faixas estabelecidas para a produção de cobre e níquel. No caso do cobre, a meta anual está entre 360 mil e 380 mil toneladas. Para o níquel, a projeção varia de 185 mil a 200 mil toneladas.
Os resultados acumulados ao longo do ano mostram crescimento de 4% na produção de cobre e de 8% na de níquel, em comparação com o mesmo intervalo de 2025. A companhia também considera que deverá atingir suas metas para os demais produtos, com previsão de produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro e de 30 milhões a 34 milhões de toneladas de pelotas.
Apesar da perspectiva positiva para o ano, a produção de cobre no terceiro trimestre ficou em 85,5 mil toneladas, uma redução de 6% na comparação anual. O principal fator foi a parada programada para manutenção da planta de Sossego, no Pará. O desempenho de Salobo, também no estado, ajudou a reduzir os efeitos da interrupção, com a unidade registrando seu maior volume de produção para um terceiro trimestre.
A empresa também informou que pretende antecipar a entrada em operação do projeto CPF, sigla para Flotação de Partículas Grossas, no complexo de Salobo. A estrutura, inicialmente prevista para um cronograma posterior, deverá começar a funcionar no primeiro semestre de 2028, cerca de um ano antes do planejamento original.
Com o novo empreendimento, a capacidade anual de processamento de minério da unidade deverá aumentar em 6 milhões de toneladas, passando a 42 milhões. O projeto faz parte do plano da mineradora de dobrar sua produção de cobre até 2035.
Minério de ferro tem recuo trimestral, mas operações apresentam avanços
No terceiro trimestre de 2026, a produção de minério de ferro alcançou 88,4 milhões de toneladas, uma queda de 6 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano passado. A Vale atribuiu o resultado à menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte, no Pará, provocada por restrições operacionais.
Em sentido contrário, Serra Sul atingiu seu maior volume de produção em um trimestre desde o início das atividades. No período, a companhia também colocou em operação o projeto Britador de Compactos. Junto com o empreendimento Serra Sul +20, a iniciativa deverá proporcionar maior flexibilidade às operações e contribuir para o aumento da produção a partir de 2027.
A expectativa da mineradora é que, no próximo trimestre, o Sistema Norte apresente produção superior à registrada no quarto trimestre de 2025. O sistema reúne as operações de Serra Norte, Serra Sul e Serra Leste.
Outro resultado destacado pela empresa está relacionado aos custos de transporte marítimo. Entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2026, os preços do frete no mercado spot na rota Brasil-China aumentaram 48%. No mesmo intervalo, a elevação dos custos de frete da Vale foi de 26%.
A diferença entre as tarifas do mercado spot e os valores desembolsados pela companhia chegou a US$ 14 por tonelada. Segundo a mineradora, o desempenho está relacionado principalmente à utilização de contratos de afretamento de longo prazo, com preços previamente estabelecidos, além da maior eficiência de sua frota de navios.
Companhia anuncia avanços em segurança e iniciativas para uso social de áreas mineradas
A divulgação dos resultados também trouxe informações sobre ações da Vale relacionadas à segurança de barragens e à utilização de áreas anteriormente destinadas à atividade mineral.
Em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a barragem 7A deixou de integrar a classificação de estruturas em nível de emergência. Com a retirada dessa condição, o município, que abriga importantes operações da mineradora, entre elas o Complexo Vargem Grande, não possui mais barragens nessa classificação.
Outra mudança ocorreu em Ouro Preto, onde a barragem Forquilha I teve seu nível de emergência reduzido de 2 para 1, representando uma diminuição na classificação de risco da estrutura.
A companhia também anunciou que a Mina de Águas Claras, em Nova Lima, começará a ser aberta gradualmente à comunidade. A proposta é destinar o espaço a atividades esportivas, culturais, de lazer e de turismo sustentável, mantendo aproximadamente 93% da área protegida.
De acordo com a Vale, a iniciativa é a primeira experiência no Brasil de transição gradual de uma mina sem operação para novas finalidades de utilização. O projeto busca combinar a preservação ambiental com a criação de possibilidades de uso social do espaço.








